Amar.
Este foi meu crime.
Minha pena: 8 longos meses.
No início dessa semana
terminou a minha reclusão.
Estava feliz.
Estava alegre.
Nem pensava mais em amar!
Esqueci da minha antiga amada.
Ela se foi de minha mente,
para sempre.
Mas houve um problema.
"Ninguém é feliz amando uma vez"
E lá estava eu.
Indo a julgamento.
Pelo meu pessimismo,
já pensava na pena,
equecendo que poderia cumprí-la
com minha amada.
E o juiz me pergunta
"Você é inocente?"
Olhando para cima
respondo
"Uma coisa é certa!
Não sou inocente.
Esse crime me cerca
Sou reincidente.
Mas estou alerta!
Sem nenhum acidente
Ei, não me aperta
Que amo, estou crente
Espero uma pena curta,
por favor senhor juiz,
Não me dê uma multa,
pois amo ser infeliz!
Vossa excelência pode ver
amo até ser triste!
Vê como amo, tudo não ter?
Perfeição boa existe?"
Então os olhos alheios
se dirigiram às minhas frases
O Juiz, indignado
puxou uma arma, gritando:
"Quem ama não merece viver!
Como achas que algo é perfeito?
E como achas que perfeição é ruim?
Deus é perfeito, e sua bondade, infinita!"
Sumindo com minha mudez, digo
"Se me matas, é um favor.
E aproveite, senhor Juiz
para acabar com meu terror
atire, me faça feliz!
Se minha amada,
apesar de tudo, enfim,
não for condenada,
dê a pena dela a mim
E se minha amada
tiver uma pena a cumprir
deixe-a encarcerada
ao meu lado, a me ouvir."
Então, ao fim de minha fala
que nem estava terminada,
uma pessoa entra na sala
arrombando a porta amarelada
"Viu o que fez comigo?
Fui condenada a viver
sem, sequer te ter
como colega, como amigo!"
E pensando no que havia ouvido,
vejo sendo atingida
pelo tiro do Juiz.
Gritando e correndo, eu dizia
"Minha querida!
Não sabia que sentias o mesmo!
Mas agora já não adianta.
Já partiste deste mundo.
Te amarei para sempre."
Com essas palavras me levantei,
e disse ao juiz.
"Já não tenho mais amada,
mas ainda amo.
Qual a minha pena enfim?"
O juiz, homem pensante.
"Sua pena... ainda não viu?"
Minha pena foi e é:
Viver amando quem não mais existe.
Pelo resto de minha vida.
Terminado à 11:58 pm do dia 04/03/2004
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