confesso que amo somente por me sentir impotente diante da vida, gauche, malogrado pelo destino. Amo por pura falta de opção, amo por que é a única coisa que me obriga a dar tudo de mim para receber um pouco de atenção, ninguém negaria um carinho à alguém capaz de nadar oceânos por amor, assim como não negaria um pedaço de pão velho a um mendigo faminto. Estou faminto por amor...
Neste tênue fio de sanidade em que me encontro, posso continuar a mendigar carinho, ou aceitar a loucura de todos os santos. NÃO!!! Antes me deixem secar no sol! antes de morrer eu ainda cuspo o sangue insosso da boca pra xingar alguma coisa ao meu redor! Não vou me enganar, dizer para mim mesmo que, não importa o que aconteça, eu vou ser amado, que existe uma recompensa para eu viver desgraçadamente, que alguém virá em meu socorro, que eu nunca estarei sozinho, e que eu vou suportar toda essa barra. Eu estou só, e a maior das infelicidades seria eu me degradar a tal ponto que não soubesse reconhecer minha infelicidade.
Reconheço alguma coisa?
Quem é esse cara abatido, corcunda e definhado no espelho? Não posso amá-lo, eu que sempre me orgulhei de ter um gosto distinto! os grandes homens nasceram para serem testados, e nenhum se pode dizer até que ataques impiedosos tenham sido desferidos contra eles no âmago do seu ser, fiquem moribundos até que um novo, autêntico, inigualável desejo de vida os coloque em pé novamente. Ou que sua vida tenha o seu termo. Mas dos que sobrevivem, quantos ainda conservam cuidados caprichosos consigo mesmo ou delicadezas? Não que se tornem necessáriamente brutos, porém é difícil que reste uma preocupação muito grande com a autopreservação, não se vê razão: porque hei de me preocupar com o estado da minha pele se posso ser sacudido e estraçalhado pela natureza?Este não perde tempo em alimentar coisas tão frágeis e passageiras quanto.
Seu texto me lembra muito 'O Retrato de Dorian Gray'. Faltou algo no final, nem que seja um ponto.
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