domingo, 23 de outubro de 2011

Onde está o meu docinho?

Hoje eu fui à padaria que eu sempre ia com ela
A nossa melhor e única opção
nas minhas madrugadas solitárias
que seriam mais minhas
que seria mais solitárias
Se não houvesse você para compartilhá-la.

Hoje fui à nossa padaria
e procurei aquele docinho que você gostava
conversei com o funcionário que fazia o seu lanche
e fazia ciúmes em mim
pois ele a adorava, de certo que a idolatrava,
pois eu nunca vi tanto contentamento em servir uma dama
nos olhos de um humilde funcionário.
nunca vi tanta alegria, tanto prazer,
ah, ele a desejava!

como eu sempre fazia
era pra isso que aquele lugar
, afinal de contas, servia
compartilhei da frustração e mágoa
que eu levava.
Vi nos olhos dela,
que sorria, ao falar de como era moça alegre,
mágoa e tristeza, porém contida e reservada.
O tio que servia o lanche,
que com ela tinha sempre um sorriso franco, aberto
fechou a cara francamente
e não fez reservas de seu estado
e ficou repetindo, como se estivesse se ancorando naquelas palavras:
obrigado por ter me falado
e estendia a mão
nunca doeu tanto apertar uma mão
fiquei vexado.
De ver aquele homem, completamente abalado
nos deixar com um sorriso,
me deixou emocionado.

Procurei o doce que ela gostava
mas não tinha
a moça do caixa disse que ha muito
não mais havia
não mais a via
não mais...
ha vida!

Procurei o doce que ela gostava
onde esta o doce
onde esta o meu doce, que era dela?
que eu sempre pegava da bandeja dela?

Na prateleira, para alívio do meu coração
um chiclete de um sabor que ela gostava
como era importado, estava escrito: strawberry
ela amava tudo o que era importado,
suas roupas, suas palavras, seu estilo, seu cheiro.
eu amava tudo o que tocava nela, suas roupas, seus aneis, seus cigarros, seus conceitos.

voltando pra casa,
sentindo um sabor familiar
o sabor do batom que ela usava,
o hálito do chiclete que ela mastigava
tentando encontrar uma palavra
que desse sentido ao que eu sentia
que me guiasse bem,
de onde eu estava,
fiquei com raiva de não conseguir
como posso estar contente, esteja onde estiver?
passei só, pelos caminhos que andavamos juntos
chorei, eu , órfã criança impotente,
chorei foi de raiva!
quem é que vai cuidar de mim!
um chingo bem pronunciado
mas bem menos ofensivo
do que aquela prateleira vazia
onde está o meu docinho?

terminado em 23 de outubro de 2011