"é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã" ou "vivemos esperando o dia em que seremos melhores". buuullshit! Continuaremos sem amar as pessoas que não amamos e não haverá o dia tão esperado em que seremos melhores. Porque para diminuir nossa fraqueza encontramos estímulos, para amenizar nossa tristeza temos toda espécie de bálsamo, para não sucumbirmos à própria estupidez, os modelos. Tudo isto pode ser feito pois esses males se originam da inércia, do movimento involuntário. É verdade que a tristeza envolve impulsos ativos, entretanto ela pode ser amenizada de maneira muito eficaz se for transformada em alguma outra coisa, e é um sentimento bastante flexível, pois a metáfora da tristeza é o abaixar a cabeça, então se há um outro impulso em nós forte o bastante para dizer:'transforme esta tristeza' , não é a tristeza mesma, de cabeça baixa, que vai se opor a este impulso. O que a nossa moral diz de sermos 'melhores', é sermos mais generosos, menos egoístas, não sermos mesquinhos, pois isso nos impede de aproveitar bem o tempo que passamos junto com as pessoas. Mas como apreciar o tempo com as pessoas que nos irritam, ferem nosso orgulho, nos deixam com raiva. O que opor ao sentimento de ódio, forte, ativo, pra fora, que se expressa de modo extrovetido,- diferente da tendência ao isolamento da tristeza - que se resvala violentamente em tudo que está a seu redor , se impondo sempre e com urgencia, uma necessidade de primeira ordem, que não pode se satisfazer com as coisas no estado em que estão , que é na essência o descontentamento com o estado das coisas, - o que explica talvez a necessidade de destruir- um sentimento nobre e guerreiro, que não aceita milgalhas nem do destino nem de coisa alguma, a vingança é uma resposta presunçosa ao destino. Algo tão formidável que, se radicalmente realizado, produz efeitos devastadores, se reprimido, cresce perigosamente.
A certeza de que se deve aproveitar bem os momentos com as pessoas.
A incerteza do que fazer com o que se é, com o que não se pode, com essa frustração contida tão escancarada nesses gestos de pura mesquinhez.
Na música, a terça maior, relacionada à alegria o é também ao masculino (extrovertido), a terça menor, à melancolia e ao feminino (introspectivo), não deve ser à toa.
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