de certa maneira, o ego era o mundo
o mundo que tem a seus pés quem eu venero em segredo
o mundo que não divide, a não ser a conta a ser paga
o mundo que exala seu perfume insuficiente e barato,
mas para o que meu dinheiro não é suficiente
o mundo que ri da minha impotência
e me diz que é hora de deixar os supérfulos ,
enquanto come um doce light especial com pedaços de frutas
o mundo que me ameaça severamente ao expor delicados vazos,
que eu jamais poderia comprar
o mundo que não me diz respeito
o mundo que não me diz.
Não, não tinha esse ego
para mim, o seu riso era só fruição,
alegria verdadeira de ser, não de possuir
de ter
laços vivos e saudáveis
pôr um blush nas bochechas coradas
sentir um prazer animalesco enquanto devora mousse com talier
O calor de um abajour que foi pintado com a alegria de uma criança no sítio
O semblante sorridente, o balançar da cabeça indicando que não é por aí
as palavras que não tem significado algum alem de amor
Inveja
Ego
Egoísmo
Querer tudo pra si, ter tudo, e ainda assim não ser o bastante
ser mesquinho demais para retribuir nem o sanduíche da espelunca
sofrer só pelo que não recebeu, nunca pelo que negou
Cego de dor
tal qual criança de colo querendo ser amamentada
não enxerga um palmo à frente do ego
a dor é bem aqui, no umbigo
a dor traz ao pensamento: alguem traga de volta
mas a dor não traz: traga de volta o que eu não pude dar
É confortável não poder
é aconchegante não ter a quem amar
Queria tanto poder abraça-la só mais uma vez
e também Dizer dizer a ela: a amo como nunca jamais amara
Mas se abraça-la só mais uma vez basta,
então há contentamento em não mais encontrá-la?
Penar que ela foi-se embora, mas nunca por ela.
Sofrer uma dor egoísta
haverá perdão?
para os sorrisos que não foram retribuidos
para os gestos de amor mal interpretados
para os momentos desperiçados que não terão reprise
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