sexta-feira, 1 de julho de 2011

Se meu destino é morrer

Caminho sem pressa
porque o meu norte é o nada
porque haveria de correr?
querem vir de mãos dadas?
se preferirem me abandonar...
não faz diferença
o meu destino é o nada
Tudo para nós tem um ponto de partida
mas nada nunca tem um ponto de chegada,
porque temer?
se há certeza de morrer?

Pode se enganar
olha que o seu paraíso divino é tão perecível quanto
quanto um mendigo na rua morto.

Os que não admitiram isso, já morreram
os que admitiram, já se foram

Então permita o meu destino
que eu não sinta o horror delicioso
que Baudelaire sentiu
Ao olhar no fundo do poço

afinal a imagem não devia ser tão ruim assim...
viu seu próprio reflexo
e eu sinto o tempo afastando tudo de mim

aos poucos

gasta o sábio até virar um louco
que ensurdece
que cala
vai lhe deixando rouco
que tudo que é,
anula

Viver de qualquer maneira é um suicídio
o sacrifício do corpo
o tempo que se leva para de morrer,
com ou sem suplício
é só uma questão de gosto.

Quando se é muito jovem
se ganha um pouco
mas paga-se o preço por isto
que ao final reste tão pouco!

Alguem que não sentiu pena,
porque viu ser vencido pelo cancer
alguem que fumava,
não terá ele outros vícios?

como respirar o ar do campo,
urinar mais cêdo de manhã,
urinar mais tarde de manhã,
ir dormir tarde com o peito arrebatado de paixão,
levantar da cama com o espírito adormecido,
arrebatado pelo trabalho
levar uma vida regrada,
comer legumes e verduras,
ou muita carne,
ou pouca

Tudo prejudica a saúde
e por pouco que seja
todos escolhem
a maneira que vão morrer

Porque insistem em trocar a saúde por dinheiro
o conforto por felicidade
a alegria pelo conforto
a solidão por companhia
a companhia por liberdade

E no final
que nem se quer existe
tudo isto se reduz ao mesmo
de tal maneira,
que se assemelha a uma morte
que não ocorreu por acaso
mas como era inevitável
foi escolhida a esmo











Nenhum comentário:

Postar um comentário